CenCyL 2022 – sobre os sítios da vertente presencial

Castro Romanizado de Irueña

O sítio conhecido como Castro de Irueña localiza-se a cerca de quatro quilómetros e meio a sul da localidade de Fuenteguinaldo (Salamanca), sobre uma plataforma elevada em forma de quebra-mar, formada pelos cursos do rio Águeda (a leste) e do ribeiro Rolloso (a norte e noroeste).

Após as primeiras fases de escavação realizadas na primeira metade do século XX, as escavações arqueológicas foram recentemente retomadas, com o intuito de melhor compreender os momentos de ocupação humana do local e a evolução dos espaços urbanos que se poderão ter desenvolvido em diferentes períodos históricos. Dos testemunhos arqueológicos observados até ao presente, é possível referir o desenvolvimento de um Castro Vetón e, posteriormente, de um núcleo urbano romanizado – sob o período da administração romana do território, entre outros momentos registados.

À espera de novos trabalhos arqueológicos que permitam expor os vestígios dos vários momentos de ocupação humana, o sítio do Castro de Irueña romanizado pode ser visitado de forma organizada, seguindo os percursos preparados ou em visitas guiadas coordenadas pelos Amigos do Castro de Irueña.

Idanha-a-Velha

Idanha-a-Velha constitui um Sítio de Património surpreendente, pelo legado histórico que ostenta e pelas complexidades que compreende. Uma vista atenta e atempada permite entender melhor as diferentes dimensões da sua realidade patrimonial.

O seu conjunto arqueológico e monumental remete-nos, sucessivamente, para os períodos romano, suevo, visigodo, muçulmano e cristão. Por sua vez, o conjunto arquitetónico que nos acolhe convida-nos a descobrir testemunhos de outros momentos da sua evolução – as suas ruas, praças, casas, os seus espaços habitados de hoje, os quais mantém o carácter vernacular que melhor os caracteriza.

Idanha-a-Velha manifesta-se como um repositório de camadas temporais, um testemunho preservado através de um relevante projeto de recuperação e de valorização do Património, desenvolvido ao longo de duas décadas – um caso exemplar de intervenção arquitetónica em contexto arqueológico, com o intuito de salvaguardar e de enaltecer uma identidade cultural e histórica. Desse trabalho de recuperação e de valorização do Património de Idanha-a-Velha, conduzido pelo “Atelier 15” (Arquitetos Alexandre Alves Costa e Sergio Fernandez), resultaram igualmente inúmeras intervenções e reabilitações de espaços funcionais, hoje usufruídos e visitados.
Uma visita a Idanha-a-Velha é, seguramente, um programa imprescindível para todos os interessados pelo Património Cultural.

Museu Ángel Mateos (Doñinos de Salamanca; Salamanca)

Localizado em Doñinos de Salamanca, a apenas 4 km de Salamanca, o Museu Ángel Mateos surpreende com a sua arquitetura brutalista e a coleção de esculturas de betão que abriga. É um museu único, concebido pelo próprio artista, como “uma escultura que contém muitas esculturas”.

No seu interior alberga a obra do escultor, uma coleção de mais de 110 obras em betão que mostra a evolução deste artista plástico ao longo de três décadas, desde a figuração expressionista inicial dos anos 1960 até à abstração minimalista da sua fase final na década de 1990. A sua escultura madura, enquadrada na abstração construtivista, define-se e distingue-se pelo seu carácter monumental e arquitetónico, características que valorizam o material que utilizará fielmente ao longo da sua carreira, o betão. A identificação entre escultura e material levou o próprio autor a batizá-lo de Museu do Betão, em clara homenagem ao material que deu sentido à sua escultura.

O edifício é composto por três salas que mostram as diferentes fases do escultor; foi construído pelo próprio artista em 1999, embora não tenha aberto as suas portas até 2002. Após dois anos aberto sob gestão municipal, permaneceu fechado até que em 2019 a família do escultor estabeleceu uma fundação para sua gestão. Hoje o período normal de abertura é de abril a outubro.

O MÁM abriga uma coleção de esculturas fundamental para a arte contemporânea e desconhecida do grande público. Uma joia artística inestimável que é essencial para todos os amantes da arte. 

(por Angel Manuel Mateos, Diretor do Museu Ángel Mateos)

Villa Romana de Vale do Mouro

Na transição entre o Douro e a Beira, o Município de Mêda oferece inúmeras surpresas a quem visite o seu território – uma paisagem cultural diversificada, recursos naturais relevantes e um Património histórico-monumental a descobrir. A par dos vinhedos, das amendoeiras em flor, das magníficas águas termais, dos seus Castelos, de Palacetes e de aldeias antigas preservadas, guardam-se outros elementos patrimoniais a conhecer melhor.  

O sítio arqueológico da Villa Romana de Vale do Mouro é um desses elementos, a visitar de modo organizado. Situado nas proximidades de Coriscada, é um excelente testemunho do período da romanização do território. Avaliando os recursos mineiros, bem como as potencialidades agrícolas, a Villa Romana de Vale do Mouro revela o contexto de uma ocupação humana interessada em explorar os recursos presentes no território circundante. O seu plano de construção e os inúmeros elementos nela encontrados, são vestígios importantes de práticas e de modelos culturais introduzidos ao longo do período romano, entre nós. Dela se guarda um pavimento romano em Mosaico, preservado pela Oficina de Conservação e Restauro do Museu Monográfico de Conímbriga – Museu Nacional. O Mosaico referido pode ser observado no Centro Interpretativo do Sítio Arqueológico de Vale do Mouro, na Coriscada.

Uma visita organizada ao sítio arqueológico da Villa Romana de Vale do Mouro e ao Centro Interpretativo, na Coriscada, é uma oportunidade a não perder.

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